quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Ordem de Hibris - Capitulo 6

1.6 - A Chegada de Dongo, o sujo

O Taberneiro já dera o sinal muito antes do ocorrido. Já havia visto muitas brigas naquele bar e ele quase possui um sexto sentido para aqueles acontecimentos.

Um mensageiro correu rápido entre as vielas escuras da cidade, virou uma ultima esquina, quase tropeçando. Por fim, entrou em uma porta de uma casa distante.

- Senhor.. senhor... – Disse o mensageiro quase sem fôlego.

Uma sombra com um cachimbo na boca encarava o mensageiro. Ela estava sentada perto de uma janela, em um canto escuro. Em sua volta havia alguns sujeitos de caráter duvidoso e com sorrisos assustadores.

- Tome folego garoto. – Disse o vulto com uma voz forçada.

O garoto respirou e vomitou todas as informações como uma máquina. Que havia uma briga no bar com os guerreiros de Comyr e que a senhorita Rienne estava agora sem a cabeça e morta.

Uma pequena pausa se fez naquela casa com cheiro de tabaco.

- Vamos homens, peguem seus cavalos e também a criatura. Eu sempre soube que aqueles estangeiros fariam alguma confusão uma hora ou outra. É hora de manda-los de volta para a toca de onde sairam.

Era Dongo, um poderoso ladino da cidade. Dongo o Rato. Dongo o Sujo. Muitos nomes Dongo havia conquistado em sua vida. O mais importante era que ele mandava em toda a cidade baixa e no comercio exterior da cidade. Seu sonho era tomar a cidade inteira de Montanhergue para si. Mas existiam problemas para que ele concluisse tais feitos.

Dongo e seus capangas chegaram a taberna rapidamente.

E formaram uma fileira assustadora na porta da taberna.

Os guerreiros Comyrianos e o faxineiro estavam prestes a partir e o encontro trouxe um silêncio incomodo.

Orfeus estava bebado e com muito sono, desiludido e se sentindo envergonhado por ter se apaixonado pela Senhorita Rennie.

- Saiam daqui, eu não quero mais confusões esta noite. – Disse Orfeus passando a mão nos olhos.

Ogus estava carregando Ottis e o clima parecia tenso.

Dongo agora mostrou o seu rosto. Ele parecia um rato sujo e fedorento. Seus olhos eram esperto e nunca se fixavam em um ponto. Seus dentes podres pareciam afiados e amarelados.

- Essa cidade é minha seu guerreiro de baixo escalão e a sua presença já esta me incomodando faz um tempo.

O nojento Dongo fez um gesto para que seus capangas abrissem espaço e deixasse os guerreiros passarem.

- Este será o meu ultimo haviso guerreiro estrangeiro.

Orfeus não aguentaria um desaforo daquele em outras cituações, mas ele era um guerreiro experiente. Seu amigo Otis estava apagado e Ogus parecia assustado e não tirava o olho de um dos capangas de Dongo que estava preso em uma corrente grossa pelo pescoço. Parecia uma sombra completa sobre um manto molhado.

Orfeus então aceitou o convite de se retirar.

Foi triste, pois Orfeus não deveria ter confiado em um rato.

Como em câmera lenta, guardando sua bela espada ele cruzou os capangas de Dongo na porta da taberna e foi esfaqueado pelas costas varias vezes.

Ele caiu mas se levantou rapidamente e ordenou que Ogus levasse Otis e o faxineiro para um lugar seguro.

Somente quando eles viravam a esquina percebeu que as agadas estavam envenenadas. Olhou para sangue e veneno na suas mãos e soltou uma risada de descrença. Não podia acreditar que ele, um guerreiro experiente do Norte caira em uma armadilha tão fula.

E lá, na frente da taberna do bardo bebado, morreu Orfeus, guerreiro da 76ª. infantaria leve de Comyr.

O dia nasceu chuvoso.

A Ordem de Hibris - Capitulo 5


1.5 - A “Senhorita” Rienne

O grande, feio e bondoso guerreiro estrangeiro de Comyr, Ogus levou o menino pelas vielas escuras da cidade. Ele agora parecia sossegado, mas não respondia a nenhuma das perguntas ou piadas que o guerreiro contou durante o caminho. O menino parecia sempre olhar para trás, esperando que o velho Clérigo o viesse buscar. A experiência de Ogus concluiu claramente que o velho estava enfeitiçando o menino. E isso o deixava ainda mais abalado.

- Vou levar você à taberna rapaizinho e lá, me esperando na multidão. Se meus amigos souberem que eu roubei você do velho, estarei muito, muito enrascado. – Ogus soltou uma risada forçada.

Assim que entraram na taberna era evidente que a noite foi engolida pela madrugada. De um lugar festeiro e alegre sobrou pouco. A bebida fez o trabalho de tornar brincalhões em bêbados chatos, heróis em briguentos e garotas em vadias. Mais vazia e mais nefasta se tornou a taberna do Bardo bêbado em poucas horas da ausência do guerreiro gordo.

Ele dispensou o garoto lhe dando um sinal de atenção ao que ele tinha lhe dito e foi se juntar aos seus amigos.

O elfo, anfitrião das noites que se seguiam, estava atrelado com duas garotas e parecia ligeiramente bêbado, mas ainda assim altivo e galanteador.

Orfeus estava conversando com um jovem até então desconhecido para Ogus e o pobre Ottis estava babando sobre a mesa eu seu décimo oitavo sono.

O jovem falava apressadamente, atropelando as palavras:

- Estou lhe dizendo meu senhor, aquela mulher que esta lhe paquerando é um dos chefes da limpeza, um serviçal do castelo, vestido de mulher. Ele é homem, de barba e culhões. Mas para a maldição de Octavus destrói a imagem do senhor lhe enganando-o como uma falsa mulher.

- Você pode provar isso? – Disse Orfeus já bufando e rosnando os dentes. Ele já havia beijado a dona Rienne umas duas vezes e estava disposto a levá-la a cama ainda essa semana.

O jovem passou pelo grande Ogus e ele percebeu que era o faxineiro da torre. Ele era loiro e sua cara parecia suja, assim como suas mãos. Suas roupas eram deploráveis.

Ele caminhou em meio a multidão e retirou, em um ataque furtivo, a peruca de Rienne. Era como se em um passe de mágica uma bela dama se transforma-se em um travesti asqueroso.

O salão fez um silêncio quando viram Orfeus ficar de pé, segurando sua bela espada de um metal afiado e com um cabo de couro.

- Como ousa me fazer de idiota seu... seu – faltou palavras para Orfeus naquele momento, mas não ódio dentro de seu coração.

O chefe de limpeza, Rienne, até tentou começar um discurso improvisado, mas era tarde demais. A espada de Orfeus já seguia seu conhecido curso. E o sangue se espalhou pelo salão causando terror e esvaziando em poucos segundos o local.

E lá jazia ela ou ele... ou seja lá o que era a Senhorita Rienne.

A Ordem de Hibris - Capitulo 4


1.4 - A invasão do Templo de Hibris

Ogus chegou ao palácio pior do que nunca. A bebida do velho bardo era realmente forte e penetrante, parecia até um feitiço. Mas quando viu o templo algo lhe subiu a cabeça alem da bebida. Seu sorriso foi embora. E somente o olhar do jovem sendo levado para a ficou em sua mente. Algo deveria ser feito, pensou o gordo homem de Comyr. Ele não podia deixar que o velho devorasse mais esse garoto. Era injusto para sua índole.

Ele então, em uma atitude repentina começou a esmurrar a porta. Não demorou para que ela abrisse.

Ao entrar sobre a nave o jovem escravo apareceu assustador, tentando retirá-lo de lá, dizia palavras murmuradas, com uma voz fina e envergonhada.

- Perdoe-me Octavus pelo que vou fazer, mas esse menino não deveria ser mais um alvo deste velho amaldiçoado e nefasto e por isso irei liberta-lo roubando de seu estranho mestre – Disse Ogus, olhando para a imagem do Grande e Poderoso Octavus, Deus dos Homens e maior Deus entre todos.

Ogus então juntou o menino nos braços, com medo, a criança escrava se debatia e falava palavras sem sentido. Até mesmo antes de sair Ogus pode perceber o velho clérigo no canto da escura construção, com seus olhos ardendo em uma brasa prateada enquanto pronunciava palavras sussurradas sobre o vento. Seria uma maldição?

O grande guerreiro o encarou com despreso e a mesma altura, ajeitou o pobre menino escravos em seus braços e o olhou com um sorriso largo. Disse:

- Vamos garoto, vamos sair daqui.

Sairam do lugar deixando uma porte estourada, uma garrafa de bebida quebrada e um Clérigo sobre as sombras.

A Ordem de Hibris - Capitulo 3



1.3 - A Chegada de um Nobre Amigo

Naquele mesmo instante alguém acenou para Orfeus. Era um elfo, companheiros de muitas noites de bebida neste ultimo mês. Sempre lhe fugia o nome do garoto e ele achava isso muito constrangedor. Sempre o chamava de “Amigo” esperando uma hora em que seu nome fosse pronunciado de novo:

- Amigo! Sente-se Conosco, venha aqui. E bardo, traga mais uma bebida.

O Jovem elfo, de cabelos longos e loiros, tinha olhos que pareciam esferas negras, ele possuía um charme incomum. Era com certeza alguém muito rico e parecia esperto como poucos. Suas roupas de seda e detalhes prata feito sobre medida fazia Orfeus parecer um maltrapilho junto a sua presença. Não demorou para as garotas se aproximarem dele. Mas ele se mostrava interessado em Orfeus e disse:

- Orfeus, ouvi dizer que o clérigo pegou mais um escravo para a sua misteriosa coleção. Isso é verdade? – Disse ele bebendo delicadamente um vinho que acabara de chegar. Com o vinho na boca apontou o rosto com um sinal indicando Otis deitado dormindo na mesa. Como querendo saber o que lhe acontecerá.

- Sinceramente não sei quais são os planos daquele velho doido. Mas nada me tira da cabeça que a alta realeza da cidade esta envolvida nisso. Esta manha nos os vimos passando com o garoto estranho. Ele era magro e tinha um galo na cabeça que quase lhe dava uma segunda cabeça por completo. Não gosto muito disso, mas quem eu percebi que mais se incomodou foi Ogus. Ele nunca gostou desse tipo de atitudes. Sabe como é, coisas misteriosas.

A conversa continuava a se desenrolar no salão. Aqueles assuntos de tabernas que parecem interessantes na hora mais altamente inúteis depois.

Por isso a história se volta novamente para Orgus que a bebida fez de seus atos muito mais interessantes no Momento.

A Ordem de Hibris - Capitulo 2


1.2 - A Taberna do Bardo

A noite estava quente e sem nevoeiros, era praticamente um milagre. Isso significava casa cheia e muitas bebidas.

Orfeus, Otis e Ogus garantiram uma boa mesa dentro da taberna. Suas espadas e seus postos lhe davam ainda mais status entre as garotas. E tudo corria bem até que Ogus começou a beber demais:

- Eu consigo virar essa garrafa inteira de Rum se a garota me prometer um beijo depois. Ic – Disse Ogus já sem controle de seu bom senso.

Orfeus e Otis se entreolharam, mas a noite parecia pacata e apesar do agito do bar, as caras eram amistosas e felizes.

Ogus logo percebeu que passara da conta quando se viu vomitando para todos os lados. E dando um sinal para os amigos, começou a cambalear para a casa.

Nas trilhas escuras seguia o grande homem, derrubando algumas caixas e levando vários tropeços.

No caminho cruzou com o faxineiro e um desconhecido. Eles estavam indo se divertir na taberna, Ogus nem notou o quanto o jovem faxineiro fitou a espada que ele levava na cintura. Cruzou também com a senhorita Guiller, amiga de noites, que tentou lhe convencer a voltar à taberna, mas Ogus pouca atenção a deu e ela logo desistiu.

No caminho escuro sumiu, com arrependimentos do guerreiro que um dia foi e no fim, bêbado e mulherengo, chorou pro desprezo de si mesmo. Sumiu em direção a escuridão.

Enquanto isso a taberna estava mais cheia do que nunca. Mais e mais homens e mulheres chegavam a tornando uma festa poucas vezes vista.

A taberna era um forte militar abandonado. Seu salão era grande e bem iluminado pelas tochas alta e grande que deixara o teto completamente preto. O balcão era impressionante, de uma madeira grossa e inteiriça, varava o salão todo, e atrás dela uma prateleira até o teto cheia de garrafas, potes e barris. Velhos e novos, de todos os formatos e cores.

O salão tinha quatro portas. A de entrada que dava para a varanda cheia de cadeiras e pessoas com um toldo surrado sustentado por vigas vergonhosas. A segunda porta era das acomodações, quartos que o velho bardo alugava a forasteiros e beberrões com vergonha de voltar a suas casas. A detrás do balcão era um pequeno deposito que dava aos fundos e a ultima porta estava sempre lacrada, provavelmente guardava os restos e coisas do antigo forte. Aquela porta sempre gerava discussões e míticas. O grande mistério da taberna.

Fora o cheiro de tabaco e fumaça a taberna se limitava a isso, pois de resto era comum ou sem importância. Coisas que ninguém notava. Como um pequeno buraco na parede ou um bolor grotesco.

Otis estava com muito sono e junto a bebida estava acabado. Sua noite havia sido um fracasso e se relutava a ir embora e fazer companhia a Ogus que ficava chorão e chato na bebedeira. Mas era evidente que estava esgotado.

Ficou então Orfeus que se animara com a bebida de seu copo e a conversa que estava tendo com uma amiga de taberna, Cecillia a filha do ferreiro. Ela trouxera duas amigas e ele parecia peculiarmente galanteador aquela noite.

- Porta uma espada e mais do que habilidade minha querida Cecillia, exige sabedoria e experiência. O dia que ganhei a minha foi um dia inesquecível em minha vida. Fazia sol como nunca fez nesta cidade e eu estava explodindo de tanta felicidade e honra. Achei que conquistaria o Mundo. – Disse isso erguendo a taberna e falando em um grito alto. Depois se chateou e virou sua caneca inteira.

A Ordem de Hibris - Capitulo 1


1 - Os Estrangeiros

1.1 - A cidade da Nevoa

Sobre as nevoas de Montanhergue o castelo de um mago surgia e sumia conforme ordenava o vento. Era assim todos os dias. O Grande e estranho castelo estava ali sobre a montanha mais alta da cidade. Sempre a vigiando. Uma vergonha para a maioria dos moradores.

Sobre as montanhas e nevoas existe uma cidade bem construída, mas com um ar inóspito e de pessoas feias. A cidade se cai em um tom de cinza de suas pedras polidas. E parece estar sempre encharcada e suja.

Na área nobre da cidade, o dia dos faxineiros começava bem cedo. Diferente dos guerreiros estrangeiros de Comyr.

Orfeus foi o primeiro a acordar, um homem alto de rosto inteligente e cabelos ateé os ombros, loiros como palha. Estava cansado das farras noturnas e com muita dor de cabeça. Levantou cambaleando e tentou lavar o rosto com uma água turva a muito na pequena tigela de metal.

- Não agüento mais a porcaria desta cidade. – Disse ele em sua língua estrangeira e assim acordando os demais.

Os outros eram Ogus e Otis.

Ogus era gordo e grande como uma pequena montanha, mas seu rosto era sincero e simpático, parecia estar sempre sorrindo. E por ser careca, pareceria uma criança gigante se não fosse à imensa barba.

- Mulheres, paz e bebida, não sei por que odeia tanto esta cidade meu bom amigo Orfeus. Sinceramente ela parece perfeita para mim.

- Talvez por que cheire como você. – Disse Otis já de pé colocando suas calças.

O dia deles se resumia a vigiar o pequeno forte abandonado da cidade. E era uma tarefa tediosa.

Cruzaram com o garoto da faxina já no meio das escadarias e lhe deram um sorriso opaco.

Pobre garoto pensou Orfeus, e por um instante teve dó do menino pensando nas bagunças e farras que faziam naquela pequena torre.

O dia passou tedioso como sempre, olhando o pouco movimento das ruas.

Uma garota, aprendiz do Monge Hibris, carregava mais um escravo para o templo do velho. Era o quinto escravo desde que chegaram a cidade à alguns meses.

- O que será que aquele velho faz com esses estrangeiros infelizes? – Disse Otis comendo uma maça. Continuou – Os come?

Ninguém respondeu e o dia continuou entediante. O sol começava a se esconder quando os sorrisos dos três guerreiros mercenários já voltavam aos seus rostos. Essa noite, era noite de taberna. Foram direto para lá, duas quadras após a ponte e uma a esquerda. Conheciam o caminho melhor do que a cidade inteira.