1 - Os Estrangeiros
1.1 - A cidade da Nevoa
Sobre as nevoas de Montanhergue o castelo de um mago surgia e sumia conforme ordenava o vento. Era assim todos os dias. O Grande e estranho castelo estava ali sobre a montanha mais alta da cidade. Sempre a vigiando. Uma vergonha para a maioria dos moradores.
Sobre as montanhas e nevoas existe uma cidade bem construída, mas com um ar inóspito e de pessoas feias. A cidade se cai em um tom de cinza de suas pedras polidas. E parece estar sempre encharcada e suja.
Na área nobre da cidade, o dia dos faxineiros começava bem cedo. Diferente dos guerreiros estrangeiros de Comyr.
Orfeus foi o primeiro a acordar, um homem alto de rosto inteligente e cabelos ateé os ombros, loiros como palha. Estava cansado das farras noturnas e com muita dor de cabeça. Levantou cambaleando e tentou lavar o rosto com uma água turva a muito na pequena tigela de metal.
- Não agüento mais a porcaria desta cidade. – Disse ele em sua língua estrangeira e assim acordando os demais.
Os outros eram Ogus e Otis.
Ogus era gordo e grande como uma pequena montanha, mas seu rosto era sincero e simpático, parecia estar sempre sorrindo. E por ser careca, pareceria uma criança gigante se não fosse à imensa barba.
- Mulheres, paz e bebida, não sei por que odeia tanto esta cidade meu bom amigo Orfeus. Sinceramente ela parece perfeita para mim.
- Talvez por que cheire como você. – Disse Otis já de pé colocando suas calças.
O dia deles se resumia a vigiar o pequeno forte abandonado da cidade. E era uma tarefa tediosa.
Cruzaram com o garoto da faxina já no meio das escadarias e lhe deram um sorriso opaco.
Pobre garoto pensou Orfeus, e por um instante teve dó do menino pensando nas bagunças e farras que faziam naquela pequena torre.
O dia passou tedioso como sempre, olhando o pouco movimento das ruas.
Uma garota, aprendiz do Monge Hibris, carregava mais um escravo para o templo do velho. Era o quinto escravo desde que chegaram a cidade à alguns meses.
- O que será que aquele velho faz com esses estrangeiros infelizes? – Disse Otis comendo uma maça. Continuou – Os come?
Ninguém respondeu e o dia continuou entediante. O sol começava a se esconder quando os sorrisos dos três guerreiros mercenários já voltavam aos seus rostos. Essa noite, era noite de taberna. Foram direto para lá, duas quadras após a ponte e uma a esquerda. Conheciam o caminho melhor do que a cidade inteira.
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