quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Ordem de Hibris - Capitulo 5


1.5 - A “Senhorita” Rienne

O grande, feio e bondoso guerreiro estrangeiro de Comyr, Ogus levou o menino pelas vielas escuras da cidade. Ele agora parecia sossegado, mas não respondia a nenhuma das perguntas ou piadas que o guerreiro contou durante o caminho. O menino parecia sempre olhar para trás, esperando que o velho Clérigo o viesse buscar. A experiência de Ogus concluiu claramente que o velho estava enfeitiçando o menino. E isso o deixava ainda mais abalado.

- Vou levar você à taberna rapaizinho e lá, me esperando na multidão. Se meus amigos souberem que eu roubei você do velho, estarei muito, muito enrascado. – Ogus soltou uma risada forçada.

Assim que entraram na taberna era evidente que a noite foi engolida pela madrugada. De um lugar festeiro e alegre sobrou pouco. A bebida fez o trabalho de tornar brincalhões em bêbados chatos, heróis em briguentos e garotas em vadias. Mais vazia e mais nefasta se tornou a taberna do Bardo bêbado em poucas horas da ausência do guerreiro gordo.

Ele dispensou o garoto lhe dando um sinal de atenção ao que ele tinha lhe dito e foi se juntar aos seus amigos.

O elfo, anfitrião das noites que se seguiam, estava atrelado com duas garotas e parecia ligeiramente bêbado, mas ainda assim altivo e galanteador.

Orfeus estava conversando com um jovem até então desconhecido para Ogus e o pobre Ottis estava babando sobre a mesa eu seu décimo oitavo sono.

O jovem falava apressadamente, atropelando as palavras:

- Estou lhe dizendo meu senhor, aquela mulher que esta lhe paquerando é um dos chefes da limpeza, um serviçal do castelo, vestido de mulher. Ele é homem, de barba e culhões. Mas para a maldição de Octavus destrói a imagem do senhor lhe enganando-o como uma falsa mulher.

- Você pode provar isso? – Disse Orfeus já bufando e rosnando os dentes. Ele já havia beijado a dona Rienne umas duas vezes e estava disposto a levá-la a cama ainda essa semana.

O jovem passou pelo grande Ogus e ele percebeu que era o faxineiro da torre. Ele era loiro e sua cara parecia suja, assim como suas mãos. Suas roupas eram deploráveis.

Ele caminhou em meio a multidão e retirou, em um ataque furtivo, a peruca de Rienne. Era como se em um passe de mágica uma bela dama se transforma-se em um travesti asqueroso.

O salão fez um silêncio quando viram Orfeus ficar de pé, segurando sua bela espada de um metal afiado e com um cabo de couro.

- Como ousa me fazer de idiota seu... seu – faltou palavras para Orfeus naquele momento, mas não ódio dentro de seu coração.

O chefe de limpeza, Rienne, até tentou começar um discurso improvisado, mas era tarde demais. A espada de Orfeus já seguia seu conhecido curso. E o sangue se espalhou pelo salão causando terror e esvaziando em poucos segundos o local.

E lá jazia ela ou ele... ou seja lá o que era a Senhorita Rienne.

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