1.2 - A Taberna do Bardo
A noite estava quente e sem nevoeiros, era praticamente um milagre. Isso significava casa cheia e muitas bebidas.
Orfeus, Otis e Ogus garantiram uma boa mesa dentro da taberna. Suas espadas e seus postos lhe davam ainda mais status entre as garotas. E tudo corria bem até que Ogus começou a beber demais:
- Eu consigo virar essa garrafa inteira de Rum se a garota me prometer um beijo depois. Ic – Disse Ogus já sem controle de seu bom senso.
Orfeus e Otis se entreolharam, mas a noite parecia pacata e apesar do agito do bar, as caras eram amistosas e felizes.
Ogus logo percebeu que passara da conta quando se viu vomitando para todos os lados. E dando um sinal para os amigos, começou a cambalear para a casa.
Nas trilhas escuras seguia o grande homem, derrubando algumas caixas e levando vários tropeços.
No caminho cruzou com o faxineiro e um desconhecido. Eles estavam indo se divertir na taberna, Ogus nem notou o quanto o jovem faxineiro fitou a espada que ele levava na cintura. Cruzou também com a senhorita Guiller, amiga de noites, que tentou lhe convencer a voltar à taberna, mas Ogus pouca atenção a deu e ela logo desistiu.
No caminho escuro sumiu, com arrependimentos do guerreiro que um dia foi e no fim, bêbado e mulherengo, chorou pro desprezo de si mesmo. Sumiu em direção a escuridão.
Enquanto isso a taberna estava mais cheia do que nunca. Mais e mais homens e mulheres chegavam a tornando uma festa poucas vezes vista.
A taberna era um forte militar abandonado. Seu salão era grande e bem iluminado pelas tochas alta e grande que deixara o teto completamente preto. O balcão era impressionante, de uma madeira grossa e inteiriça, varava o salão todo, e atrás dela uma prateleira até o teto cheia de garrafas, potes e barris. Velhos e novos, de todos os formatos e cores.
O salão tinha quatro portas. A de entrada que dava para a varanda cheia de cadeiras e pessoas com um toldo surrado sustentado por vigas vergonhosas. A segunda porta era das acomodações, quartos que o velho bardo alugava a forasteiros e beberrões com vergonha de voltar a suas casas. A detrás do balcão era um pequeno deposito que dava aos fundos e a ultima porta estava sempre lacrada, provavelmente guardava os restos e coisas do antigo forte. Aquela porta sempre gerava discussões e míticas. O grande mistério da taberna.
Fora o cheiro de tabaco e fumaça a taberna se limitava a isso, pois de resto era comum ou sem importância. Coisas que ninguém notava. Como um pequeno buraco na parede ou um bolor grotesco.
Otis estava com muito sono e junto a bebida estava acabado. Sua noite havia sido um fracasso e se relutava a ir embora e fazer companhia a Ogus que ficava chorão e chato na bebedeira. Mas era evidente que estava esgotado.
Ficou então Orfeus que se animara com a bebida de seu copo e a conversa que estava tendo com uma amiga de taberna, Cecillia a filha do ferreiro. Ela trouxera duas amigas e ele parecia peculiarmente galanteador aquela noite.
- Porta uma espada e mais do que habilidade minha querida Cecillia, exige sabedoria e experiência. O dia que ganhei a minha foi um dia inesquecível em minha vida. Fazia sol como nunca fez nesta cidade e eu estava explodindo de tanta felicidade e honra. Achei que conquistaria o Mundo. – Disse isso erguendo a taberna e falando em um grito alto. Depois se chateou e virou sua caneca inteira.
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